O Mal da Indiferença


Indiferente é o adjetivo que qualifica algo ou alguém que não reconhece a importância de determinada coisa ou pessoa e não demonstra preferência ou emoção. A indiferença se manifesta quando uma pessoa trata a outra como se não existisse, a ignora ou limita suas conversas a respostas simples. A indiferença é um sentimento que mantém a pessoa que se comporta assim como que excluída do processo ou fora da questão. No entanto, quando somos atingidos pela indiferença de alguém, seus tentáculos produzem feridas muito dolorosas em nós. Quando apontamos nossa indiferença para outra pessoa, essa atitude é uma das mais agressivas e dolorosas que podemos proceder. Demonstrar nossa indiferença a alguém significa que estamos removendo todos os nossos sentimentos e que nada mais existe para nós. A indiferença pode ser surpreendentemente mais danosa que o ódio, porque a indiferença envolve insensibilidade, descaso nas pessoas, o que é algo devastador. Podemos até considerar a indiferença como oposto absoluto do amor e não o ódio. Quando um ser humano se torna indiferente para com o outro, isso significa que o outro se tornou nada para ele. É a mesma coisa que se o outro não existisse ou fosse despido de qualquer valor ou relevância enquanto ser. Na dimensão da indiferença o próximo pode ser simplesmente ignorado ou descartado. A indiferença quando manifestada em toda a sua intensidade pode representar uma grande agressão ao próximo. Como a indiferença pode ser considerada um oposto absoluto ao amor, muitos escolhem mostrar seu ódio através da indiferença. A indiferença oculta emoções conflitantes: inveja, ressentimento, ciúme, raiva, mesmo que exista um bem-querer. É um retrato de uma sociedade egocêntrica e consumista, que prioriza o instantâneo e descartável, além de instigar a competição entre as pessoas. Precisamos superar a indiferença perante o sofrimento alheio. Lembremos da passagem bíblica do Bom Samaritano, apresentada por Jesus no Evangelho, na qual um homem samaritano (considerado pagão) ajuda uma pessoa que tinha sido roubada e espancada, ao contrário do que aconteceu com um sacerdote e um levita que passaram por ela indiferentes e não ajudaram. Esse samaritano, pecador, que estava em viagem, ‘viu o necessitado e não seguiu adiante, ou seja, não foi indiferente: sentiu compaixão’. Que lugar ocuparíamos nesta narrativa? Quem seriamos se estivéssemos nesta mesma situação? O Sacerdote, o Levita ou o Samaritano? Passaríamos indiferente diante de um necessitado ou estenderíamos a mão? Esta pessoa que sofre com a indiferença não necessariamente é um mendigo. Na maioria dos casos quem sofre a indiferença são as pessoas próximas a nós como nossos filhos (dos pais que não tem tempo) ,esposa, marido, pessoas que estão próximas no nosso trabalho que ficam esperando por uma simples migalha de atenção que pode significar para elas muito mais que imaginamos, significa receber amor. Olhemos para as pessoas do nosso lado e pensemos: quem estamos sendo para elas ? O sacerdote, o levita ou o samaritano deste relato bíblico?

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