A espada da Língua

A língua maldizente é uma arma terrível e muitas vezes pode ser letal. Com ela fere-se e pode-se até destruir o bem precioso da fama, da boa reputação.

O rei Davi quando falou de seus perseguidores, clamou ao Deus Altíssimo e dizia-lhe: “Seus dentes são como lanças e flechas, suas línguas como espadas afiadas (Sl 57.5).

A espada da língua aplica dois poderosos golpes: a maledicência e a calúnia.

O pecado da maledicência consiste em divulgar, entre pessoas que não os conhecem e sem razão objetivamente válida, defeitos e faltas reais dos outros. A fato do ocorrido ter sido verdadeiro não torna lícito que os divulguemos. Já a calúnia consiste em falar mal do outro acrescentando a mentira além da crítica com objetivo de piorar a reputação do outro. Caluniar transformou-se infelizmente em um “esporte social” que com frequência se pratica nas conversas privadas e nos meios de comunicação.

Estamos aqui, na realidade, perante um dos aspectos mais sérios e mais belos da doutrina cristã sobre o respeito à dignidade e à fama do próximo.

A nossa história é, aos olhos de Deus, até a morte, uma história aberta, porque a qualquer instante a nossa vida pode ser purificada, completada, restaurada, dignificada, elevada até os mais altos níveis da perfeição e do amor.

Entretanto a maledicência tem o efeito de “tingir” a honra com uma tinta difícil de limpar. Quer queiramos ou não, a pessoa que nós criticamos fica “marcada”, e em muitos casos essa imagem negativa que passamos é a que vai permanecer. E dado que a língua é um fogo, como definido na carta de Tiago (Tg 3.6) , o incêndio tende a alastrar-se. A murmuração passa de “boca em boca “até criar uma má reputação , uma fama que acompanhará a pessoa como uma sombra. Não importa que o erro tenha realmente ocorrido, pois lembro aqui que todos nós estamos sujeitos a cair em um pecado, num momento de fraqueza, pois temos a tendência ao desvio devido o pecado original. Além disso, muitas vezes o erro já foi reparado e corrigido, porém o estrago causado pela maledicência continua a destruir.

A pessoa que foi “tingida “pela má língua, em muitos casos, poderá ficar diante da opinião dos outros, “um homem desonesto “, “uma mulher falsa”, “um médico irresponsável “ou “um advogado picareta” etc.

Esta má fama além de ferir a pessoa atingida, torna-se uma barreira para a pessoa praticar o bem. Como pode ter uma autoridade moral um pai que foi “difamado” diante dos filhos ou um professor entre seus alunos? Entretanto se não tivesse ocorrido e maledicência estas pessoas poderiam se recuperar, se arrepender e estar praticando o bem, porém o estrago causado pelo veneno da maledicência e da calúnia pode ter levado o individuo a uma depressão, sem capacidade de reagir ou dar a volta por cima.

Nós “executamos e enterramos” socialmente o nosso irmão.

Assim o maldizente peca contra a caridade, magoando, ferindo, fazendo sofrer o criticado, como também contra a justiça, desrespeitando um direito e roubando um grande bem.

Um olhar no espelho observando nossas imperfeições e a consciência do risco de amanhã podermos estar no lugar no criticado, sem dúvida consiste em um bom remédio para evitarmos o mal de “falar dos outros’.

Referencia : Livro “a língua de Francisco Faus. Editora Quadrante.

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